segunda-feira, outubro 22, 2007

ROSSINI HITS


O grande dia está chegando, uma Ópera que chiques!
Muito trabalho, muito stresss, muito cansaço, mas uma satisfação imensa, de estar cantando com amigos, de ter a oportunidade de aprender muita coisa, de ter que desenvolver mais a voz, conhecer gente nova.
Então, agora só falta os Amigos por lá, para verem o resultado e experimentarem um pedacinho do coração e carinho de cada um dos participantes, principalmente dos alunos como eu!!!
O espetáculo Rossini Hits. Trata-se de
uma homenagem ao maior compositor de óperas bufas (cômicas),
Gioachino Antonio Rossini. Esta apresentação terá alguns personagens
como Figaro (Barbeiro de Sevilha); Cinderela (da ópera homônima);
Mustafá (A Italiana em Argel); Parmenione (A ocasião faz o ladrão),
Fiorilla (o Turco na Itália), entre outros e será interpretada por
artistas amadores (alunos do Centro Experimental de Música) e profissionais.
Texto e direção geral: Alvise Camozzi.
Direção Musical: Thiago Cury.(75min).
Teatro Sesc Anchieta - SESC CONSOLAÇÃO (320 lugares). Rua Doutor Vila Nova, 245, Consolação, 3234-3000. Quinta (25) a sábado (27), 21h; domingo (28), 19h. Grátis. Ingressos distribuídos uma hora antes.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Esperança


Hoje eu trago poesia, abro minha bolsa, sangro meu coração e então vejo palavras.
O sol entre as nuvens cinzas e pesadas luta querendo brilhar.
Talvez ao final da tarde...Esperança.
Esperança

Mário Quintana


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Mãe é tudo!

Ontem eu cantei, mas tenho noção que não foi das minhas melhores "performances" (Rs). Tremia, minha voz tremia, tava morrendo de vergonha.E claro a insatisfação ao final foi terrível.Nem dormi direito. A ressaca pós apresentação está demais.Hoje canto de novo, quero que seja melhor. Aí claro, mãe é para essas coisas, pra gente chorar. Minha mãe não é muito fã de cantoria não. Até hoje ela é meio reticente quanto a isso, até entendo, sendo prática do jeito que ela é, o "trem" tem que se mover, vozinha, essas coisas é só pra passar o tempo, tanto que outro dia comentei com ela que o médico havia me recomendado que fizesse exercícios aeróbicos e ela já lascou, "então, larga esse negócio de canto e vai dançar". Mas eu gosto de cantar, será que não dá para fazer as duas coisas? Pois é. Mas mãe é tudo não é? Hoje chorava as pitangas de que não tinha cantado muito bem e ela me disse: "Hoje vai ser melhor, o que você tem que fazer é deixar sair primeiro do coração".
Não sei se ela tem consciência, mas acho que ela está começando a entender porque gosto de cantar, e pensei, realmente, antes de tudo tem que sair do meu coração.
Mãe você é tudo pra mim, mesmo braba, eu te amo!

quarta-feira, outubro 03, 2007

Tudo sempre igual...será?

"Todo o dia ela faz tudo sempre igual, me sacode as 6 horas da manhã".
Quem não tem a sensação de fazer tudo igual, o relógio que toca no mesmo horário e a gente que faz aqueles minutinhos que vão nos custar tão caro, afinal "time is money", levantar descabelada ( eu levanto...), só não as atrizes da globo sempre chiquérrimas e belas e já maquiladas ou maquiadas (rs). Prefiro ser descabelada e com aquele andar preguiçoso, que ao abrir a porta do guarda-roupa para escolher a roupa do dia recebe uma "enxurrada" de roupas, me afogo nelas e então, vou colocar essa, passada rápida de ferro que as vezes pode causar cicatrizes, pois é, a doida aqui já passou roupa no próprio corpo.
Algumas bolachas ou uma fatia de pão, correria e mais um dia.
E penso, tudo igual? Nem sempre, pois, os olhos, podem ver, os ouvidos, ouvir, a boca, dizer, as mãos pra fazer, para acalentar, pra receber, os braços abraçar, os pés para caminhar.
Os caminhos nem sempre são os mesmos, apesar de passarmos pelas mesmas ruas. O pensamento sempre voa.
Viver é assim um igual cheio de surpresas.Assim vejo.

terça-feira, outubro 02, 2007

Kalanchoe


Flores, portas, portões, que trazem a primavera!
Primavera, qu efloresce no coração e transporta pra bem longe!Longe, longe...
Parada no caixa do supermercado, numa noite fria, seguro 2 potes de yogourte, bolachas para comer no Metrô, é bom para passar o tempo e a fila não anda.
Meu sbraços doem e quero minha cama. E olho para a máquina registradora e lá está um vasinho, pequeno, e a florzinha, colorindo, no meio de tanta "poluição" visual. É pequena, mas consegue ser grande a mim, meus olhos saltam, meu coração pula.
E ela lá amarela, Kalanchoe, é uma planta de origem africana, dizem que é o símbolo da fortuna e da felicidade.
Passo minhas compras, coloco nas sacolas e sigo para o Metrô. E ela fica lá, alguém sim há de levá-la. Senão para casa, pelo menos na memória!

quinta-feira, setembro 27, 2007

Música - Seriedade e diversão


Quando vamos a um concerto ou a show, muitas vezes somos como que arrebatados. Mas esse resultado final de beleza é sempre resultado de muito trabalho, dedicação e algumas vezes um pouco de stress.
Fiquei pensando nisso quando ouvi a Orquestra contratada para tocar no espetáculo Rossini Hits que estreará no final de outubro.
Chegamos e eles já estavam posicionados e havia uma leve bruma pesada no ar, uma conversa sobre ensaios, compromissos etc. Pensei profissionalismo demais não, música não combina com stress. Aqui ponto e pensamento.
E aí eles começam a tocar. Boquiabertos, nós, meros alunos, como crianças engatinhando, nem sabemos o que fazer, tamanha a beleza da música que eles tocam. Meu amigo, que é o primeiro a cantar, não consegue entrar com a voz de primeira, ao final do ensaio ele está tremendo. Eu e minhas amigas estamos arrepiadas, sentimos que estamos no céu.
E penso, não é possível beleza na música, sem muito trabalho e quem sabe um pouco de stress, porque cada um quer dar o melhor de si.
sim, se divertir e sentir a música é essencial, mas sem o trabalho o objetivo de transportar para esse local de gozo é algo quse que impossível.
Uma boa dose de diversão e stress saudável, para contrabalancear.
Acho que o espetáculo vai ser bem legal, pelo menos os ensaios já estam valendo por demais!

quarta-feira, setembro 26, 2007

De Marias e ainda Santana do Jacaré


Nessa última viagem à Minas Gerais, fui visitar a Vila Vicentina, para quem não conhece, o trabalho dos vicentinos, chamada-se Sociedade São Vicente de Paulo é uma organização de pessoas que são chamados de confrades. Cada região essa sociedade atua de um modo, ajudando os pobres, e lá em Santana do Jacaré, há essa vilinha em que moram idosos e pessoas que não têm como se locomover. Na verdade é um lugar que te dá um nó na garganta e um aperto no coração. Todos vamos envelher, claro se a morte não vier chamar antes, mas aqueles olhos, que se alegram por receber uma visita, um olá, te faz perguntar, e essas crises que a gente tem "sr ou não ser eis a questão". Logo conheço uma senhorinha, magrinha, cabelos lisos totalmente branquinhos, acabou de fazer 100 anos, sentadinha, arrumada com um vestido azul, eu a beijo, pego a sua mão tão pequena e ela beija tanto minha mão, minha mão branquinha naquela negra, que simplesmente ama, seu nome Maria Nazorá, minha mãe diz que ela é nossa parenta distante. Começamos a visitar outros quartos, uma senhora jovem até, com seu quarto impecavelmente arrumado, sofreu um acidente em que caiu de uma escada e não mais pode andar, minha mãe disse que ela em outra visita estava muito revoltada, pois sua família a deixou lá, "ela antes dizia, eu não posso ficar aqui, eu tenho família".Agora parece resignada. Família, família.
Vou a outros lugares e conheço outa senhora, pergunto-lhe o nome me diz "Olivia", e eu digo que Lindo! Me lembro da Olívia de "Olhai os Lírios do Campo", ela fica feliz com o elogio, entro em outro quarto e vejo a Lourdes, essa personagem é da minha infância, minha mãe me contou que ela saiu andando da Bahia e parou em Santana do Jacaré, se tornou cozinheira da Vila, agora está aposentada e mora lá na Vila, sua cama, repleta de bonecas, como se fossem seus filhinhos, sentadinhas e cobertas. Quando eu falo que ela era a cozinheira, outra senhora, que traz agora o peso dos anos nos pés e no corpo, sentadinha sorri e é Maria também, me diz eu lavava toda a roupa, a Lourdes cozinhava e eu lavava. D. Olívia, quer atenção, diz que onde nós formos ela vai também, me diz que tem um bisneto, uma gracinha, minha mãe brinca e diz "vai pajear ele", ela fala, "eu não guento não".
Vamos embora, eles ficam, e penso, penso tanto, envelhecer, envelhecer...

quinta-feira, setembro 20, 2007

Pra quem não acredita - Santana do Jacaré - Minas Gerais

Pesquisando na Internet, no mais conhecidos sites de buscas,será que você sabe qual é? (rs). Descobri este texto, que achei muito bacana, pois são os olhos de uma pessoa que também não acreditava na existência dessa cidade e lá esteve e comprovou. Ele dá uma pincelada do que é Santana do Jacaré e é uma pincelada boa!Pedi permissão para mostrar seu texto e ele muito solícito aprovou, descobri inclusive que ele tem 2 livros publicados, um acho que virtual que pode-se baixar pela internet. Bom pra quem ainda não acredita, Santana Ah, Santana existe.
E ela foi Corredeira mesmo, realmente chegou a se chamar Corredeira, quando distrito da cidade de Campo Belo e eu que achava que muitos a chamavam assim pela velocidade que correm as notícia spor lá...(rs)!!!
Obrigada, Luis pela crônica.
O blog dele :
http://www.verbeat.org/blogs/biajoni/


CIGARRAS PIIIIIIIII EM SANTANA DO JACARÉ

2003-11-18 - 11:35:50

Indo pela Fernão Dias, sentido Belo Horizonte, depois da saída 666 para Perdões (sim, existe uma saída 666 e é para a cidade de Perdões!), está a ÚNICA placa indicando o retorno (Mantenha-se à esquerda) para a cidade de SANTANA DO JACARÉ. É para lá que fui na sexta pela manhã, à passeio, com o amigo Pimenta.

A viagem tinha 3 finalidades. A primeira era a inauguração da quadra de tênis da chácara da família Pimenta Freire. Como exímio jogador desse nobre esporte e amigo da família não podia me furtar em comparecer para demonstrar meus dotes. A segunda era descanso e recuperação do TRAUMA da minha separação. A terceira era matar a curiosidade: que catzo é SANTANA DO JACARÉ? Existe messss?

Existe! Fica logo depois de São Sebastião das Estrelas. Antigamente São Sebastião era conhecida por ONÇA. Acredite! Aí apareceu um padre por lá e achou muito feio ONÇA. Feito um brainstorm com as filhas-de-Maria do povoado chegou-se ao consenso do BICHAL nome de São Sebastião das Estrelas. E os homens que lá residem têm vergonha de dizer que são de lá e tascam: sou do ONÇA. Folk-lore bruto!

Então depois de 42 quilômetros de estradas capilares (como em Viagem Insólita), nos embrenhando pelo o que o Pimenta chama a sério de "O CERNE DO ESTADO DE MINAS", chegamos a Santana. O nome original era Santa Ana do Rio Jacaré. Mas mineiro gosta de abreviar. O Pimenta nasceu lá e achava que o UNIVERSO era aquela meia dúzia de casas até lá pelos 12 anos quando chegou na cidade a primeira TV. Muita gente ainda acha.

Era meio dia quando adentramos a cidade e meio dia e um quando saímos dela. Poucas casas, a igreja, nenhum carro pelas ruas. O ar puro, aquele calor mineiro. Uma placa avisava: "vendem-se mudas de café". E eu, mente fértil, já imaginei uma série de mudas de café na beira da estrada mostrando as pernas,"se vendendo". Minas é um estado lisérgico, man!

O fato é que a dona Nega e o seu Paulinho, pais do Pimenta, lá estavam nos esperando com um rango abusivo de bão. Cumprimentos e barulhos de talheres depois, vamos à siesta. Dormir na rede. Era apenas o preparativo para o que viria a seguir: uma noite estrelada, uma quadra de tênis iluminada no meio da mata, cervas, petiscos mil e doces que são puros preparos para um diabetes poderoso. A felicidade de qualquer ser humano minimamente racional.

Foi assim. Chegaram os parentes do Pimenta e os causos foram sendo contados e as piadas e aquele jeito estranhíssimos que os mineiros falam. Qualquer rapper metido a incompreensível ficaria de boca aberta com a mímese, a rapidez e a naturalidade com as quais os mineiros, por exemplo, se cumprimentam pela manhã: "Ôôôôôôôôp", no que o outro responde seco: "Ôp". "Bão?". "Neeeeeeeeeemmmmmmmm!". Monossilábica e onomatopaica comunicação total!

Mas o melhor estava por vir. No sábado o pai do Pimenta, se recuperando de um derrame, empunhou com um só braço um trombone e acompanhado do caçula Paulo, tocou as mais belas pérolas do concioneiro local, começando por "Cuitelinho". Ô músca bunita, sô! Eu empunhei a câmera e registrei o momento para a eternidade.

À noite estivemos no Samuca, bar de Campo Belo, onde comemos uma farta porção de provolone frito e bebemos várias cevas. A conta deu 20 reais. Nesse momento estávamos acompanhados de um ser de pouca credibilidade local, mas muito "conhecimento" - que é quando a pessoa é super-conhecida. Trata-se de Maurício Resende Souza, a.k.a. BISCATE, um ser quase ininteligível. Incapaz de pronunciar Bia, ele me chamou até quase as raias da loucura, durante toda a noite, por BILL. E ficou Bill - pois o que é mais uma alcunha para um SER DESPERSONALIZADO!

Nossa noite se alongou até um local chamado Farroupilha mas não conseguimos ficar muito tempo devido ao azedume da mistura do cheiro de cana com suor. Meus olhos arderam.

O dia seguinte foi de mais comes e bebes e pudemos saborear o primoroso feijão à Paulito Pimenta Freire - com banha, pedações de porco e pimentões. O resultado foi uma evacuação eficaz no final do dia.

Nos dirigimos depois para a Pousada Santa Felicidade que é do Juca, tio do Pimenta. Uau! Local fartamente ilustrado por várias garotas novas e morenas e in-te-res-sa-dís-si-mas em um jovem e recém-separado jornalista. Pobre, é vero, mas isso ninguém precisava saber. Fiquei ali dando sopa e desfilando meu belo corpo enquanto o Pimenta conversava com familiares que - impressionante - são apenas QUASE TODOS os habitantes do reduzido feudo.

Conheci a Patrícia lá, gerente da Pousada, e iniciamos uma conversa para levar o pessoal do TQ para um evento, uma palestra sobre jornalismo ou algo assim. A Pousada é legal e vive promovendo eventos culturais. Pode rolar.

Seguimos depois para o aniversário da garotinha Carol com a Pepper Family. A afilhada da Tia Lêda vou dizer... me alumiou as vistas já embaçadas pelo excesso etílico. Incansável, noite de domingo, estivemos no maior point local, um estratégico boteco de esquina onde se visualiza nitidamente o foot dos nativos. Pude reparar como a família do Pimenta é considerada por lá: todo mundo que passava vinha cumprimentar. Ôp!

Dormimos antes do Fantástico e saímos cedo na segunda. O mundo real nos aguardava. Nunca achei que conheceria uma cidade como Santana do Jacaré. Agora espero poder voltar o quanto antes para lá.

por luiz BIAJONI

sexta-feira, setembro 14, 2007

Navegando no mar




Há coisas que escrevemos, colocamos na gaveta e aí um dia escavamos e encontramos sentimento e as vezes até estranhamento, "eu escrevi isso?" Nossa! Aí vai:
Fiquei na margem
Procurando
Sentei na areia
Desenhei seu nome
O vento me enlaçou
Quis me levar
Meus dedos fincaram-se
Pedi para ficar e te esperar


A maré subiu, quis apagar seu nome
Não deixei
Como fusão, trouxe cada grão para o meu corpo
Deitei a espera da noite
Vieram as estrelas
Quem sabe em uma delas
Você viria

O cansaço me trouxe sono
Estava sozinha?
No meio da escuridão
Você velava meu sono
E em meus sonhos te dizia
"Sabia que você viria".

quarta-feira, setembro 12, 2007

Minas Gerais


Montanhas que me levam...
Meus pensamentos, meu coração, minha infância.
É entrar no ônibus para desencadear emoções que vão lá longe.
As mesmas paradas de ônibus, chegar na rodoviária e ter logo que ir lá pra aquela cidade que todo mundo estranha, você diz o nome Santana do Jacaré e todo mundo fala: O que? Isso não existe não, "Existe sim". Santana corredeira...(Rs). Chegar na casinha da minha avó que sempre ficava esperando a gente, ela não está mais lá, mas é como se ela tivesse saido pra viajar, seus santos na parede, minha foto da quarta-série do Grupo Escolar João alves Duca, desbotando no mesmo lugar. A casinha lá de fora minha mãe derrubou,porque já estava caindo aos pedaços, também minha vó corajosa, foi juntando sobras de materais, pegou todos os meus primos, que ela ia de casa em casa e os acordava às 7h da manhã de domingo,eles numa ressaca danada, pois tomavam todas as pingas no sábado e chegavam de madrugada. Assim surgiu a casinha, baixinha, com um fogão à lenha, madeira, uma vez um gambá fez sua casinha dentro do forno do fogão, ai que medo.
Minha mãe construiu uma lavanderia no mesmo lugar, um quartinho e um banheiro. Tudo novinho, lindo, mas eu olhava e via a casinha velha, sentava na escada da cozinha e a casinha ainda estava lá. Olhava o céu, estrelado e tantas noites silenciosas do passado me vieram, tantas lágrimas, que hoje já não doem tanto. Tudo envelheceu, as pessoas envelheceram, meus vizinhos se partindo. "É mundo velho sem porteira", bem diz Erico Verissimo através de Liroca.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Futuros amantes- Chico Buarque e o contexto


Hoje o dia começou um pouco mais cedo, já estou no trabalho às 8h30 da manhã, milagre? Milagre!!! Feriadão, UEBA!!! Tô acordando meu dia e não pode faltar Chico Buarque, gente o que tinha no coração e na alma dele quando fez algumas músicas. Não é a toa que as mulheres enlouquecem com ele. Me lembro quando fui à FLIP em Paraty, a cidade tava lotada, gente pra todo lado, eu só vi pelo telão, a mulherada lá na praça dizendo "ai, esse homem embaixo dos meus lençóis". Uma amiga uma vez me disse que não tem homem desinteressante, depende do contexto, eita Chico excede todo contexto!!!Olha essa música...

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos


Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização


Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

quarta-feira, setembro 05, 2007

Agradecer

Pouco agradeço, muito peço.
Minhas orações muitas vezes são chorosas, cheia de pedidos, muitas, muitas vezes é assim. Me dá, me faz isso,
Agradecer, quase nunca.
Mas de repente me passa pela cabeça: meus pés tortinhos, que caminham, minhas pernas branquelas que podem correr, meus braços e mãos desproporcionais que abraçam e podem sentir o abraço. Meus peitos caídos, mas que um bom soutien pode disfarçar. Minha pele cheia de pintas e cicatrizes mas sem feridas graves, incuráveis. Meus olhos que têm um olhar pro céu outro pro inferno, como diz Patativa do Assaré, (vesgos, estrábicos), mas que enxergam. Uma boca cheinha de dentes, muitos com restaurações. Ouvidos que podem escutar belas melodias. Cabelos finos, finos, tudo está aqui. Tenho o sol, tenho a chuva. Tenho a Deus, que me acompanha, que está comigo. Então Deus, sei que me entedes, a fraqueza, o sempre querer mais, mas que tudo que tenho possa ser instrumento como criação sua. Então, obrigada, obrigada, porque sou Cris, Cristiane.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Titia





Minha família por parte de mãe é feita de mulheres. Na verdade não sei de nenhuma figura masculina forte.
Vou contar de uma figura que mesmo não a tendo conhecido marcou minha infância e é guardada no meu coração pra contar pra quem quiser ouvir ou me ler.
Titia seu nome de nascimento; Maria José, só há algum tempo minha mãe me disse seu nome. Para todos, simplesmente titia.
Sim, talvez até porque não tenha se casado, ficou para titia.
Mas não uma titia recalcada que guarda mágoas por ser só, ou estar só. Na verdade pelo o que minha mãe conta, nunca, nunca esteve só. Amou àqueles que estavam a seu redor até sua morte, prometendo inclusive, amar após a morte, explico mais adiante.
Era uma figura miudinha, magrinha, que era possível de ser carregada pela criançada na “cacunda”, para atravessar o córrego. A criançada lá na roça na sua algazarra a pegava nas costas para atravessar o riacho e lá ia ela gritando de medo.
Morava com sua irmã a forte Ana.
Uma de suas tarefas era acompanhar minha avó, filha de Ana nos bailes. Titia nem sempre estava com vontade de ir, minha avó geniosa que só, uma vez jogou uma espiga de milho na sua testa e o sangue escorreu, mas calou-se, mágoa, não existia no vocabulário dela.
Devota que era, todas as tardes colocava seu banquinho no terreiro, o sol se pondo, montanhas de Minas Gerais, seu rosário nas mãos. Ah, titia, quantas preces!
Quando estava adoentada, olhava para minha mãe e dizia “ô minha filha o que vai ser de você e sua mãe, depois que eu me for”. Minha mãe, chorosa, já que titia várias vezes a defendeu das surras da tia em que minha mãe morava para poder estudar, lhe dizia “titia, você vem me buscar”. Ela prometia, “venho minha filha”. Ah, titia, só seu coração puro para prometer isso.
Seu sangue, foi, foi, e como passarinho voou para o céu.
Seu caixão branquinho, roupa branca, manto azul, como o da Virgem Maria. À noite, minha mãe com medo lhe pediu, titia, não vem me buscar não.
Contou-me também que uma noite depois de ter apanhado muito e dormido chorando, sonhou com titia e seu manto azul e ela lhe dizia que ela iria tirar ela de lá. No outro dia, minha mãe saía de lá para trabalhar como empregada em outra casa. Surras não mais. Ê titia, amor assim até depois da morte.
Por essas histórias, eu menina de uns oito anos, sempre que ia com minha avó ao cemitério em Minas visitar o túmulo de D. Ana, eu sempre perguntava para minha avó onde estava a titia, ela dizia, que na época não tiveram dinheiro para comprar um túmulo, em que tivesse registrado seu nome, então foi enterrada na terra, direto, mas eu não me contentava, queria deixar minha flor para ela e minha vó entrava na minha “criancice” e me mostrava mais ou menos onde era e então eu lá deixava minha flor.Mas bem sabia onde estava e está ela, no céu, no meu coração!

Asas do Desejo - Tão Longe, tão perto


Para que eu sempre me Lembre, até quando os meus cabelos estiverem brancos e a memória coma todos os momentos da vida! Ficam vocês, filmes, músicas e palavras...e assim me tornarei eterna, minha história estará escrita.Se foi...,voou...

Beatriz

Edu Lobo - Chico Buarque
1982

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida

terça-feira, agosto 28, 2007

O olhar...


As vezes nossos olhos enxergam através de outros olhos, isso acontecia geralmente quando me apaixonava.
Me apaixono e logo quero sugar tudo que a outra pessoa gosta. Música, livros, comida preferida, filmes e de repente até mesmo a preguiça.
Mas não tem coisa melhor do que ver através dos nossos olhos, a descoberta é feito luz que se traz para dentro da gente.
É engraçado que uma descoberta que me marcou muito e adveio de uma grande dor que sentia e que queria me afastar dela, foi Erico Verissimo, inclusive ele é o culpado do nascimento desse blog. Se tiverem paciência, verão que meu primeiro post fala dele. Descobrir Erico foi como nadar em águas cristalinas, calmas, fui me apaixonando por cada personagem e principalmente Rodrigo Cambará e não é o Capitão, eu ia entrando na história, esquecendo de mim e as vezes vendo meus próprios medos e paixões.
Terminei de ler Clarice hoje, arrebatamento total, além de muitas, muitas lágrimas, de nascimento, de dor, dói demais, quando as palavras vêem cortando a carne e contrasta com aquilo que o escritor diz e aí você percebe que é cópia.
Últimas palavras do livro, que não termina, começa-se com uma vírgula,e termina com : (dois pontos).
Entre as palavras dela descobri Chagall e aí, que descoberta, não sou de ter olhos para a arte, seja escultura, pintura, mas quando veio as imagens de Chagall, meus olhos disseram é esse, sim sua nova paixão, sua nova descoberta, seu novo prazer.
Chagall e esse olhar?!
Se vai, aqui fica!!!

Van Gogh - duas figuras no bosque - 1890


Naquele dia chovia muito,
A cidade, sempre seca, se inundava de tanta água
A árvore firme,
Minhas mãos tocaram a árvore, mas seus galhos não me tocaram o rosto
Não havia vento.
Já fazia sol, tantos dias,
O tronco da árvore firme, mas agora seus galhos me tocaram o rosto,
Inesperadamente, pedi à árvore que me abraçasse.
Soprava um vento
Primavera chegando,
Passarinho indo voar.
Meus olhos tristes
Existe tristeza feliz?
É isso a tal de saudade?
Pedaço de mim, que vai

“Eu tenho o destino da madeira, que canta quando queima na fogueira”

quinta-feira, agosto 23, 2007

Das vontades e do estranhamento e dos pensamentos




Lembrei de uma história de infância.
Minha mãe me contou que quando era pequena, tive uma febre alta. Me deu remédio e nada da danada passar.
Mamãe preocupada, comentou com a vizinha e esta lhe disse, "Acho que ela está aguada"( procurei no dicionário e olha o significado dessa palavra: "desejar intensamente, ficar com água na boca, ter salivação, por desejo de certa comida, ou simplesmente de comida). Ela viu uma menininha comendo mexerica,acho que foi isso. Minha mãe imediatamente foi à quitanda, sabe a minha quitandinha querida (rs), comprou a mexerica e não podia faltar um detalhe, pediu à menina que vi comendo me dar a mexerica. A febre passou.
Sobre estranhamento, voltava do almoço, meus almoços andam surreais, atravessava a rua, hoje vim de preto, com meias pretas de estampas de rosas, eu acho que é discreta e um "senhor de meia idade", olhou pra elas e fez uma cara, parecia reprovação...Ai meu Deus, nessa hora queria ler pensamento, geralmente os homens não mostram no rosto o que pensam, mas esse não disfarçou nadinha. Deixa pra lá!!! Bom pra dar risada!!!

Ainda Bethania



O encantamento nos faz assim, repetitivos!!(rs)
Mas essa música, não preciso dizer mais nada e sim ouví-la e todas as outras que tem no CD- PIRATA, pura sensibilidade e amor.

Eu que não sei quase nada do mar Ana Carolina e Jorge Vercilo
CD: Maria Bethânia - Pirata

Garimpeira da beleza
Te achei na beira de você me achar
Me agarra na cintura, me segura e jura que não vai soltar
E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer
Navegando nos meios seios, mar partindo ao meio
Não vou esquecer

Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim

Clara, noite rara, nos levando além
da arrebentação
Já não tenho medo de saber quem somos
na escuridão

Me agarrei nos seus cabelos
Sua boca quente pra não me afogar
Tua língua correnteza lambe minhas pernas
Como faz o mar
E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer
Navegando nos meus seios, mar partindo ao meio
Não vou esquecer

Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim

quarta-feira, agosto 22, 2007

O tempo, duas cantoras, duas músicas, doisCD's



Hoje não tenho muitas palavras, tenho duas cantoras, tenho dois CD's.
Descobri Madeleine Peyroux - cantora americana, jazz de altíssima qualidade. haverá show dela aqui em São Paulo no Via Funchal no dia 18 de setembro, pena, carinho que só, pelo menos pra uma pobre mortal como eu, mas que dá vontade de fazer uma loucura e me lançar pro mundo dos deuses, ah dá...(rs)!O CD é Careless Love.

Don't Wait Too Long

You can cry a million tears
You can wait a million years
If you think that time will change your ways
Don't wait too long

When your morning turns to night
Who'll be loving you by candlelight
If you think that time will change your ways
Don't wait too long

Maybe I got a lot to learn
Time can slip away
Sometimes you got to lose it all
Before you find your way

Take a chance, play your part
Make romance, it might brake your heart
But if you think that time will change your ways
Don't wait too long

It may rain, it may shine
Love will age like fine red wine
But if you think that time will change your ways
Don't wait too long

Maybe you and I got a lot to learn
Don't waist another day
Maybe you got to lose it all
Before you find your way

Take a chance, play your part
Make romance, it might brake your heart
But if you think that time will change your ways
Don't wait too long
Don't wait
Hmm... Don't wait


Maria Bethania, conhecia algumas músicas mais populares mas ainda não havia ouvido com calma, com coração. Este CD é muito lindo!Cha-se Pirata
Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, que seria de mim sem eles! Música apresentada por eles então!
As letras das músicas que falam do tempo. Não preciso dizer mais nada. A música fala por mim!


Maria Bethânia - O Tempo E O Rio
Edu Lobo/capinam
O tempo é como o rio
onde banhei o cabelo
da minha amada
água limpa
que não volta
como não volta aquela antiga madrugada

Meu amor, passaram as flôres
e o brilho das estrelas passou
no fundo de teus olhos
cheios de sombra, meu amor

Mas o tempo é como um rio
que caminha para o mar
passa, como passa o passarinho
passa o vento e o desespero
passa como passa a agonia
passa a noite, passa o dia
mesmo o dia derradeiro
ah, todo o tempo há de passar
como passa a mão e o rio
que lavaram teu cabelo

Meu amor não tenhas mêdo
me dê a mnao e o coração, me dê
quem vive, luta partindo
para um tempo de alegria
que a dor de nosso tempo
é o caminho
para a manhã que em seus olhos se anuncia
apesar de tanta sombra, apesar de tanto medo
apesar de tanta sombra, apesar de tanto medo

segunda-feira, agosto 20, 2007

Apesar de




Estou tentando ler essas palavras e escrevê-las em mim, apesar de...
Tinha feito alguns planos de novos caminhos, novo caminho,acreditava cimentar novo chão.
No entanto os 5 minutos que rebobinou a fita do filme, como se de repente, o espelho se rachasse sem mais nem menos.
Estou lendo Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres de Clarice Lispector .Lóri tenta se construir, Ulisses a quer, mas só quando estiver pronta, quando ela não mais se apresentar como Lóri e sim, “meu nome é eu”.
Tentava dar o primeiro passo para o meu eu e pra onde foi esse eu?
Apesar de, diz Ulisses à Lóri. “Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi criadora de minha própria vida.
Não quero me estancar frente a angústia que sinto, parece-me que estou caindo num buraco, sem fundo, sem possibilidade de me segurar e na verdade queria um buraco escuro e denso pra me esconder do mundo, covardia.
Quero um pouco de coragem e que as lágrimas limpem meus olhos para enxergar melhor, apesar de.
Deus meu Deus, tu que enxergas a história completa de nossas vidas, traz-me paz!