quarta-feira, junho 01, 2005

Sobre saúde e outras cousitas mais...

Ainda não falarei sobre a liberdade, pois sendo um tema complexo é um pouquinho demais pra mim pobre mortal... (rs) e além disso preguiçosa..
Mas queria deixar registrado um e-mail que encaminheii hoje ao Dr. Dráuzio Varella, para que eu mesma não me esqueça que a Saúde é algo de suma importância na vida da gente e também não posso deixar de falar de "O Tempo e o Vento", eu não consigo deixar de dialogar com o livro que leio (será que isso é um problema??), Rodrigo Cambará larga o ofício da medicina (não que ele fosse um dos médicos mais dedicados (rs)..) mas principalmente motivado pela morte de sua filha mais velha Alicinha que teve um mal súbito apesar de vários médicos a terem examinado, não puderam salvá-la.
Isso me faz pensar o quanto tantas vezes confiamos plenamente no que nos dizem os médicos e no entanto lá no livro de Érico Veríssimo seu personagem diz que a Medicina nada sabe, algo complicado não milito contra os médicos de modo algum, mas as vezes (não quero generalizar) eles demonstram tanta falta de zelo para com seus paciente.
Esta história de médicos me fez lembrar de um tempo e das histórias contadas por minha mãe e avó (minha avó adorava contar suas histórias, apesar de não poder falar... eu sempre adorei "ouvir" seus gestos, mas elas me contaram e eu pude também conhecê-lo o Julinho, farmacêutico (não sei se por formação), único sinal e esperança de ajuda quanto às curas dos males do corpo numa cidadezinha lá das Minas Gerais - Santana do Jacaré´.
A história que minha avó adorava contar era do nascimento de minha mãe. Minha avó nessa época não morava na cidade, morava numa fazenda, não era dona não, era "agregada" como se diz hoje, na verdade minha bizavó plantava à "meia", (sobre essas coisas explico melhor em outro momento).
Ela sempre contava com uma pontinha de emoção, como seu feito heróico: dizia que havia muitos moços querendo casar com ela mas sua mãe não deixou (tudo explicarei mais tarde), então ela era meio teimosinha, não casou, mas como ela apontava com as mãos uma barriga enorme: engravidou ano de 1950, solteira, surda-muda, 32 anos de idade(minha heroina), sua mãe a quis expulsar de casa, quando entrou em trabalho de parto sua mãe a beliscava e dizem as mas línguas falava que iria jogar o bebê no córrego, e minha vó gemendo de dor e nada do bebê nascer então a solução ir à cavalo até a cidade e conversar com seu Julinho, meu tio Joaquim foi correndo(minha vó fazia o som direitinho do cavalo corrrendo) e ele então mandou 2 injeções. Minha vó contou, meu tio aplicou uma em cada braço e então o bebê nasceu. Minha mãe, de olhinhos fechados e caladinha (achavam que ela tinha nascido morta), então tiveram a idéia de bater com uma colher numa velha frigideira e então acordou Maria que seria das Dores...
Mas continuando sobre seu Julinho, me lembro da sua farmácia lá na entrada de Santana que pena que derrubaram a casa, era daquelas construções antigas, de 2 portas de madeira na frente, balcão de madeira antiga, lá dentro o cheiro dos remédios para manipulação, seus cabelos brancos, uma traqüilidade, eu era bem pequena, me lembro dele tirando os furunculos da perna da minha vó e curando, dele dizendo pra minha mãe sobre as feridas nas minhas pernas, que me molestavam demais quando ia pra lá, acho que era um tipo de alergia.
A dedicação da Fármacia do Julinho esse sim eu chamo de Doutor.
Mas ele se foi, sua casa não está lá mais, tantas coisas não estão mais no mundo e tudo corre tão mais rápido e dizem que nossa tecnologia é de ponta.
Chega né, já escrevi demais, mas é bom aproveitar esses momentos que a histórias escorrem, deslizam com facilidade.
Abaixo segue o e-mail ao Dr. Dráuzio: (chi vejo agora que escrevi em alguns momentos o nome dele errado... ai Cristiane é Dr. Dráuzio não Dr. Drázio)

SUGESTÃO
Dr.Dráuzio
Bom Dia!!
Tenho acompanhado sempre sua trajetória de apresentador de programas na TV, as reportagens do Fantástico, e também suas reportagens em outros canais sobre diversas áreas da Saúde.
Sei o quanto a sua figura é importante no cenário da saúde já que o Sr. muito merecidamente consolidou uma imagem de confiança, li também seu livro Por um Fio e vi o quanto o Sr. escreve bem; um contador de histórias nato.
Mas Dr. Dráuzio o que me traz aqui, é lhe fazer uma sugestão: acho que seria muito pertinente se pudesse ser realizado pelo Fantástico (já que é uma rede que abrange todas as camadas e todo o Brasil), reportagens sobre a saúde da Mulher. Sobre todos os problemas femininos que a mulher enfrenta hoje, ginecológicos, psicológicos até.
Não vou dizer que não tenha interesse nisso, pois sou portadora de Endometriose e me revolta às vezes a falta de informação mais precisas dos médicos e até mesmo da população, Dr. Drázio o Sr. não acha que deveria se investir mais em pesquisas para que as mulheres tivessem sua fertilidade preservada, ou mesmo para que tenham uma melhor qualidade de vida?Enfim, passei a minha adolescência inteira sentindo fortes cólicas, sangrando demais e todos diziam que tudo era muito normal... pelo jeito não era...
Enfim Dr. Dráuzio sinto que os médicos precisam ser mais "responsáveis" por seus pacientes, o que inclui estudo, pesquisa.
Sei que há diversas mulheres nesse nosso Brasil que precisam ter mais conhecimento até mesmo sobre seu corpo.
Para o Sr. ter uma idéia minha avó foi ao ginecologista aos 70 anos de idade.Se bem que na época dela a vida era bem diferente da que nós mulheres enfrentamos hoje.
Eu agradeço muitíssimo pela atenção e espero que essas reportagens possam ser levadas ao ar, tenho fé que sim.


Um comentário:

jabutiquercasar disse...

Cris, que história emocionante essa da sua avó! Menina, você deve ter um baú repleto de histórias pra contar, hein? Adorei!