sexta-feira, maio 20, 2005

Floriano...

Floriano é o personagem de "O Tempo e o Vento", ele aparece mais no último volume da saga "O Arquipélago", estou lendo o volume II, é incrível como Érico Veríssimo vai interiorizando, e colocando questões de "alma" em seus personagens conforme chega a "modernidade".
Em "O continente", a questão é prática, início do século, cada um necessita sobreviver, então o que importa é a força, o que luta com braços, viver é a questão, ter o pão, e sua terra é o que importa.
Já em o Arquipélago questões existenciais, são mais fortes, começa um pouquinho com Rodrigo Cambará (neto) que vive uma dualidade: sua natureza, (que parece estar ligada ao homem do campo), briga com o "saber", com as "questões"(e o que seria o correto a fazer) já que é o primeiro homem de sua família que sai da terra e vai pra a cidade grande, que estuda, conhece cantores de óperas, gosta de perfumes...
Floriano me faz pensar o quanto pesa nossas "raízes" em nossas vidas, suas dúvidas, querer agradar, o quanto trago dele em mim, também trago um pouco do Rodrigo Cambará... (muiot pouco mesmo)
Assim como Floriano gostaria de quebar a casca do ovo e viver,: citando Arquipelágo I , diálogo entre Roque Bandeira (tio Bichho)e Floriano),
Suponhamos que a vida é um touro que todos temos de enfrentar> Como procederia, por exemplo, o teu avô Licurgo Cambará, homem prático e despido de fantasia? Montaria o cavalo e, com auxílio de um peão, simplesmente trataria de lançar o animal. Agora, qual é a atitude de seu neto Floriano Cambará? Tu saltas para a frente do touro com uma capa vermelha e começas a provocá-lo. De vez em quando fincas no lombo do bicho umas farpas coloridas... Mas quando o touro investe tu te atemorizas, foges, trepas na cerca e de lá continuas a manejar a capa, para dar aos outros e a ti mesmo a impressão de ainda estar na luta... É uma atitute um tanto esquizofrênica, com grande conteúdo de fantasia. Certo? Bp,; Toma agora o teu tio Toríbio.. qual seria a atitude dele?
Pegaria o touro à unha...
-Exatamente. Levaria a loucura e a fantasia até suas últimas conseqüências.
ando tentando sair da fantasia e fincar os pés no chão, mas confesso não é nada fácil, parece-me que estou eternamente na estação aguardando o trem passar, e sem entender muito bem porque espero se há tantos caminhos a seguir e talvez aquele trem já tenha passado, mas sempre penso ele ainda pode passar novamente, mas o caminho está ali bem à frente de vez em quando eu o olho, e tudo parece tão belo logo lá, mas não continuo ali...
Penso, penso muito, e algo me sufoca por dentro, tantas palavras, que as vezes ficam ali dentro da cabeça mas parecem que vem do peito, e se não colocá-las de algum modo pra fora não me darão sossego...
Procuro a liberdade, mas sobre isso preciso de mais espaço... preciso trabalhar melhor minhas amigas, preciso citar Floriano... logo mais farei isso, claro se minha preguiça e meu senso de não parecer idiota e nem ficar me perguntando os por quês e pra quê, me deixarem... e.. sempre os e... e... e se...

Um comentário:

jabutiquercasar disse...

Oi, Cris!

Que legal que resolveu escrever também. Gostei do nome, achei a sua cara. O Floriano é o personagem que mais gosto no Tempo e o Vento. O mais sensível e parecido comigo.

Seja bem-vinda ao mundo do blog ; ) Beijão, Rê.