quarta-feira, janeiro 16, 2008

Janela da Alma

Assisti à esse documentário que teve alguns depoimentos que falaram comigo. Uso óculos desde que me dou conta de ser gente, segundo minha ficha no Setor de Oftalmologia da Santa Casa, desde os 3 anos de idade. Nasci estrábica, no início meus olhinhos ficavam pra dentro, fiz uma cirurgia, muitos tampões, muitos exercícios, muita choradeira, se há um cheiro que nunca vou me esquecer é o de esparadrapo, que agonia,era como um asfixiamento,um olho tampado, feito pirata. Era muita briga, minha mãe sempre diendo "Não dorme".Tente ficar com um dos seus olhos tampados, assistir tv, andar por aí feito ET, ou mesmo a ler um livro.
No documentário há 2 pessoas que falam sobre a sua luta com o estrabismo e o problema de visão. Uma cineasta canadense, que se sentia um animalzinho rejeitado,principalmente, por sua mãe e sentia que todos olhavam para ela, "arreparando", o seu "defeito". Isso a atormentou por tantos anos e parece que ainda a atormenta, até o dia que fez sua cirurgia e ficou tudo certinho. No entanto, apenas ela se deu conta que algo havia mudado, as outras pessoas nem notaram.
Daí vem outro depoimento, do grande músico Hermeto Pascoal, que desde criança, tem problemas sérios de visão e um estrabismo bem forte. Mas nada disso, o impediu de ser um grande músico, inclusive, um grande maestro não quis aceitá-lo como aluno devido a seu problema de visão, mas isso não o impediu de prosseguir com seus estudos por conta própria.
Meu estrabismo voltou na vista direita, agora o olhinho está se voltando para fora, isso me incomoda, tento disfarçar,até pensei fazer cirurgia mas não tive coragem. Vi uma entrevista de Elis Regina em que ela dizia que as pessoas a achavam metidas por não olhar nos olhos e ela disse que esse era o modo de disfarçar seu estrabismo, não fixando os olhos, para não notarem o "detalhe".
Bom, falando de estrabismo, lembro-me de Patativa do Assaré que tem um poema em que ele diz mais ou menos assim, Zarolho, ou estrábico, é como ter um olho pro céu e outro pro inferno.
De repente é isso aí!!!

3 comentários:

Cleu disse...

Então talvez eu deva começar a contar do tudo que tenho aprendido com o seu modo de olhar para o mundo...

Ontem também andei triste por causa de um destes incômodos que só a gente nota. Mas também é só a gente que sabe como dói, né?

Beijo. Volta logo...

Cris disse...

Mimi, tôvoltando, falta pouquinho.
A saudade é grande!
Beijin,
Cris

Anônimo disse...

Sofri na minha infancia toda com apelidos,tinha auto estima zero...mas a partir do momento qque fiquei com cofiança de que eu era linda fui escolhida a menina mas bonita do colegio,isso depois de anos as pessoas dizendo que eu era feia que nem o cao,resumindo devemos nos amar,e as pessoas devem nos aceitar da forma que somos,nao vou dizer que gosto pois e muito imcomodo sinto bastante dor de cabeça e as vezes nao consigo fixar meus olhos no mesmo lugar e quando e para tirar fotos e terrivel!